Quando os jovens empresários ocuparam a Alesp: a força da Conaje em 2006

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Quando os jovens empresários ocuparam a Alesp: a força da Conaje em 2006

19 de outubro de 2026

Em 16 de março de 2006, o Conselho de Representantes da Conaje se reuniu na Alesp, a convite do presidente da Casa, para debater propostas para o país.

Em 16 de março de 2006, uma sala da Assembleia Legislativa de São Paulo, a Alesp, recebeu um grupo pouco comum para aquele espaço. Não eram deputados nem assessores. Eram jovens empresários de vários estados do Brasil, reunidos no Conselho de Representantes da Confederação Nacional dos Jovens Empresários, a Conaje.

Eles não estavam ali como visitantes. Estavam ali para deliberar, à mesa, com microfones e bandeiras, sobre propostas que pretendiam levar ao Congresso Nacional e ao governo do estado. Vinte anos depois, aquela reunião ajuda a entender o tamanho que o movimento jovem empresarial brasileiro chegou a ter.

Conselho de Representantes da Conaje reunido na Alesp, em 16 de março de 2006.
Conselho de Representantes da Conaje reunido na Alesp, em 16 de março de 2006.

Um convite do presidente da Casa

A reunião não foi improvisada nem acomodada num auditório qualquer. Aconteceu a convite do presidente da Alesp, o deputado Rodrigo Garcia, que abriu o Legislativo paulista para que o órgão máximo da Conaje realizasse ali sua sessão.

O gesto diz muito. Em 2006, a Conaje era tratada pelo maior parlamento estadual do país como interlocutora, e não como plateia. A entidade discutia política pública com quem fazia política pública, no mesmo espaço.

A mesa diretora: presidência, vice-presidência, diretoria executiva e o estado anfitrião, sob o banner do programa Empreendente, da Conaje com o Sebrae.
A mesa diretora: presidência, vice-presidência, diretoria executiva e o estado anfitrião, sob o banner do programa Empreendente, da Conaje com o Sebrae.

O Empreendente, motor do crescimento

O banner pendurado atrás da mesa não estava ali por acaso. O Empreendente, programa da Conaje em parceria com o Sebrae, levava um lema que resumia a ambição da entidade: "Formando empreendedores competentes".

Foi o projeto que praticamente triplicou o tamanho da confederação. Com ele, a Conaje deixou de ser apenas a voz de quem já tinha empresa e passou a formar quem estava chegando ao empreendedorismo. Era essa base ampliada que estava representada nas bancadas da Alesp naquele março de 2006.

Uma rede que cobria o país

O Conselho de Representantes reunia delegados das entidades estaduais de jovens empresários, cada um identificado pela placa do seu estado na bancada. A coordenação era do presidente da confederação, Doreni Caramori Júnior, catarinense que depois presidiria a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis e a Abrape.

A rede tinha escala. Três anos antes, a própria Alesp registrava que a Conaje estava organizada em diversos estados e somava cerca de 7 mil associados. Em 2006, essa base estava à mesa, debatendo projetos que não se limitavam aos interesses de quem empreende: miravam o funcionamento do país.

Representantes estaduais nas bancadas, cada um identificado pela placa do seu estado.
Representantes estaduais nas bancadas, cada um identificado pela placa do seu estado.

Uma agenda do tamanho da Conaje

Dois projetos dominaram a pauta, e ambos mostram a ambição da entidade.

O primeiro, batizado de Renova Brasil, propunha que um terço dos parlamentares de todas as casas legislativas fosse obrigatoriamente renovado a cada nova legislatura. Para Doreni, a renovação faria circular novas ideias e daria mais dinamismo à política. Era uma proposta para ser encaminhada ao Congresso Nacional, debatida dentro de um parlamento estadual.

O segundo, o Parque do Talento Empreendedor, já havia saído do papel da entidade para a mesa do governo. O Governo do Estado de São Paulo encampou a ideia e assinou convênio com a Conaje. O plano era ocupar um dos pavilhões do antigo presídio do Carandiru com uma espécie de "shopping center do empreendedor", reunindo num só lugar todas as entidades ligadas ao empreendedorismo.

O desenho previa três pavilhões — Inspiração, Criação e Evolução — para acompanhar todas as etapas do jovem empreendedor, do que está começando ao que deseja ampliar suas atividades.

O convênio dava três meses para a idealização do projeto e previa funcionamento até o fim daquele ano. Uma confederação de jovens empresários propondo ressignificar o maior símbolo de exclusão do país, com assinatura do governo estadual, é a medida do peso que a Conaje tinha naquele momento.

O Parque do Talento Empreendedor acabou não saindo do papel, travado por detalhes burocráticos. Mas o simples fato de ter chegado à mesa do governo, com convênio assinado, mostra até onde a Conaje conseguia levar uma ideia.

Esse sempre foi o papel da Conaje: estar atenta, no lugar certo e na hora certa, para entrar nos debates que definem o rumo do país e tentar influenciá-lo. Nem toda ideia vinga, mas uma ideia que não sai do papel nunca foi motivo para recuar. A Conaje não recuou. Em 2007, sob a liderança de Pedro Fiuza, a confederação abraçou uma nova causa nacional: a luta pelo fim da CPMF.

Combate à CPMF: Durante a mobilização nacional em 2007, a Conaje atuou ativamente na articulação e pressão política junto ao Congresso Nacional pela extinção definitiva da cobrança da CPMF, que deixou de existir no final daquele ano.

Conaje no Senado Federal.
Conaje no Senado Federal.

Reconhecimento que vinha de antes

A abertura da Alesp em 2006 não foi um gesto isolado. Em abril de 2003, a mesma Casa aprovou um voto de congratulações à Conaje pela posse de sua nova diretoria, destacando o trabalho da entidade na formação de jovens empreendedores e sua presença em diversos estados.

Em três anos, a relação evoluiu da homenagem para a parceria: a Conaje passou de entidade homenageada nos anais a entidade que usava o Legislativo como sede de suas decisões.

O palco do mundo, na mesma cidade

A reunião na Alesp era só uma parte da semana. Ela aconteceu em paralelo ao 10º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores, realizado no Anhembi entre 15 e 16 de março de 2006, com participação de delegações de mais de 50 países. Foi no palco do Congresso que o Parque do Talento Empreendedor foi lançado.

Enquanto o Conselho de Representantes deliberava no Legislativo, São Paulo recebia o empreendedorismo jovem do mundo inteiro.

Uma curiosidade daquele dia

Foi no Congresso Mundial que Rodrigo Bitar foi apresentado ao mundo Conaje e conheceu Pedro Fiuza, Leo Bayma, Eduardo Machado, Vanessa Rouvier, dentre outros personagens que no futuro iriam liderar o movimento.

Fontes

Alesp — notícia da reunião da Conaje (16/3/2006)

Alesp — Requerimento nº 848/2003, voto de congratulações à Conaje

PUC-Rio — dissertação sobre o Carandiru, cap. 5 (lançamento do Parque do Talento Empreendedor)

Câmara de Piracicaba — Requerimento nº 201/2007 (participação de mais de 50 países)

ACIF — Doreni Caramori Júnior assume a presidência

JOTA — CPMF (WikiJota)

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